SECRETARIA ACADÊMICA ouvidoria OUVIDORIA ouvidoria WEBMAIL  
 
Quinta-feira, 09/09/2010  

 

ok +  
divisória
ouvidoria PORTAL ACADÊMICO
MATRÍCULA   SENHA  

Sua página

Faça do Portal Asces a sua página inicial


 
29/06/2010 | 22:37 | Veridiano Santos
Mobilização Urgente

Os mais experientes sempre nos alertam: com água não se brinca. Na composição do poeta Petrúcio Amorim Meu Velho Ipojuca há um trecho bastante revelador da sabedoria popular: o rio ta enchendo/ ta chovendo me dá medo/ água não é brinquedo/menino não vá pra lá. Essa advertência que lhe fez sua mãe na infância deveria servir também para os mais maduros. Porém, não é penas a ignorância que leva pessoas a morarem a beira dos rios, na maioria das vezes são as condições sócio-econômicas que as empurram para áreas de risco eminente.
   
Desde a última semana, alguns dias de chuva intensa foram o suficiente para provocar uma catástrofe de proporções assustadora entre as cidades da Zona da Mata e Agreste de Pernambuco e Alagoas. A fúria das águas, em forma de enxurrada, traduziu o ressentimento dos rios para com todos aqueles que atentaram contra o seu leito. Não satisfeitos em demover tudo que estava em seu caminho eles invadiram as cidades, destruíram pontes, casas, praças, igrejas deixando para trás uma legião de desabrigados, doentes e mortos para que ninguém jamais subestime o recado.
   
Os rios nos obrigaram a conhecer de forma bastante agressiva a estética do horror: cidades submersas sob o triunfo das águas; ruas forradas por um denso tapete de lama; casas, telhados e até a rede elétrica decorados com entulho pendurados por tudo quanto é canto; cenários bucólicos transformados em crateras horríveis; bairros inteiros transformados em escombros e ruínas; cheiro nauseabundo de animais e peixes putrefatos rondando os ambientes; pessoas, muitas pessoas tomadas pelo medo, impotência e desespero e crianças descalças no meio do lixo e da sujeira.
   
As imagens que nos chegam de Palmares, Barra de Guabiraba, Cortês, Barreiros, Altinho, só para citar algumas mais próximas, são imagens de cenário pós-guerra, pós-tsunami ou coisa do gênero. A expressão Calamidade Pública nunca irá traduzir de fato o estado em que aquelas pessoas estão. Muitas delas saíram do conforto de suas casas para escolas e abrigos improvisados, outras estão sem comida, água e energia elétrica, outras ainda estão sem roupas, cobertores e agasalhos. Os relatos são de cortar o coração. Histórias dolorosas e traumáticas que arracam lágrimas e mexe com sensibilidade de qualquer um.
   
Apesar de tudo, o importante é que a rede da solidariedade foi instalada imediatamente e a generosidade característica do povo brasileiro certamente irá ajudar aquelas pessoas. Todos nós temos o dever de impulsionar essa corrente e cobrar um gesto que além de solidário é também um exercício pleno de cidadania.  Mobilização minha gente, essa tragédia também é nossa.

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
29/06/2010 | 22:20 | Veridiano Santos
A Cultura de Caruzundanga

Caruzundanga era uma cidade pequena e isolada nos torrões secos e quentes das páginas euclidianas. Suas origens remontam a uma encruzilhada de rotas reais e imaginárias que levavam a todos os lugares e a lugar algum. Os seus rústicos habitantes formavam a gênese da cultura brasileira e eram, antes de tudo, mestiços, místicos, brutos e fortes. Eles não tinham sonhos, mas tinham fé e a vida seguia naturalmente até que o mito de babel encarnou-se na cidade e ela ficou perturbada para sempre.

Quando a nação e a região atravessaram sua geografia houve um intenso movimento tectônico e a cidade passou a sofrer abalos constantes. Para evitar que fosse abandonada e para tirá-la das sombras políticos, escritores e intelectuais firmaram um pacto e passaram a construir imagens positivas com as quais os habitantes criaram vínculos e redefiniram suas identidades. Uma das primeiras imagens inventadas foi a de que caruzundanga era uma cidade princesa, o que afagava o imaginário de seu povo saudoso dos tempos do império.

Na segunda, recorreu-se aos aspectos naturais e propagandeando que ela era a Terra dos Aveloses Esmeraldinos. Muito embora essa planta tenha sido trazida do oriente os habitantes não se importavam. As duas primeiras imagens fizeram pouco sucesso diante da terceira que foi popularizada tanto em nível local, quanto regional e nacional pelos escritores: a feira de caruzundanga. Essa imagem virou o símbolo identitário-mor com qual a cidade se apresentaria ao mundo. Para elevar ainda mais o status de caruzundanga os políticos ufanistas lhe rotularam de capital da grandeza, o que deixou seus habitantes por demais envaidecidos com essa representação.

Com o passar dos anos não era mais possível separar a cidade real e a cidade das imagens construídas pelos discursos. Aos políticos, escritores e intelectuais se somaram os artistas e caruzundanga passou a ser a cidade mais falada e cantada do mundo, com histórias, tradições, mitos, canções, personagens e heróis que viraram temas literários, jornalísticos e também de rádio e televisão. Esses canais consagraram a imagem de cidade da tradição enquanto a tradição se esvaía.

Por fim, a cultura desta cidade lendária virou um patrimônio estimado e um produto valioso na modernidade capitalista. Apesar disso, os moradores não sabem mais o que são, porque são tudo e ao mesmo tempo não são nada. Suas vidas e trabalho, suas festas e o cotidiano alimentam a criatividade dos seus narradores, e sustentam a glória de seus políticos e intelectuais. A cidade tem de tudo embora o povo quase nada.

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
24/03/2010 | 17:49 | Veridiano Santos
Os deputados de Caruzundanga

O tempo na cidade de Caruzundanga foi inventado pela elite política remanescente do império. Um coronel dos quadros do Partido Conservador instituiu que o ritmo das coisas na cidade seria determinado pelos acontecimentos políticos ocorridos na capital. Ninguém ousou reclamar e, assim, um calendário foi estabelecido. Toda e qualquer realização no campo da educação, saúde, obras e cultura dependeriam de decisões que vinham da capital. Nada ocorria nesta cidade, sem se consultar o governador e as demais autoridades políticas daquela longínqua metrópole.

Muitas vezes, festas, celebrações, inaugurações, eram antecipadas ou adiadas ao sabor de interesses estrangeiros. Até as estações do ano foram definidas com base na política. Eram duas apenas: calor ardente e brisa fresca. O marco divisor era as eleições. Dependendo do resultado, todos os habitantes na cidade sabiam se iam ter calor ou brisa durante seis meses. Foi dessa dependência que nasceu a necessidade de se enviar representantes para a capital para defender os reais interesses dos caruzundanguenses. No período eleitoral eles elegiam, em clima de festa, os deputados que seriam enviados a capital. A disputa era ferrenha porque estes eram imediatamente promovidos a semi-mortais.

Esse status garante a eles muitos privilégios e poder de influencia em toda Província. Quando partem para tomar posse o povo os ovacionam na estação ferroviária em festiva despedida. Raramente eles voltavam à cidade e quando voltavam o povo só podem se aproximar em período eleitoral. Apesar disso, muitos têm a impressão de que eles sempre estão presentes porque as rádios e os outdoors não param de exibir notícias de suas conquistas milionárias para realização de obras em Carumzumdanga. Tudo de bom que chega à cidade era fruto do trabalho e empenho daqueles ilustres no congresso da capital.

Situação e oposição fazem da política um negócio entre famílias. É a tradição, o povo está bastante acostumado. Até 2095 já está cordado quem serão os filhos, netos e bisnetos que representarão a cidade. Desta forma, os deputados renovam seus mandatos e há até aqueles vão até mais adiante na carreira. A maioria, são como heróis, pelas avenidas de caruzundanga há placas, estátuas e monumentos para que o povo não esqueça suas façanhas. Muitos pessoas doutrinados pelos cabos eleitorais chegam até a rezar. Os deputados não se preocupam com a independência de Caruzundanga com relação à capital. Acham que seria desgastante promover a liberdade e se contentam com o fato de ela ser uma referencia no interior.

O tempo passa muito lento nesta cidade imaginária com mania de grandeza, por isso as coisas demoram acontecer. Em breve, se realizarão novamente as eleições e é grande a expectativa. Na situação nada foi decidido. Todos esperam o governador para dar aval as suas candidaturas. Na oposição, a mesma coisa. Espera-se que o líder da oligarquia dissidente possa referendar as escolhas locais. Enquanto isso o povo torce para que a brisa venha aliviar esse calor ardente medonho...

 
Comentários (1) | Comentar Imprimir
 
05/03/2010 | 00:54 | Veridiano Santos
Ter ou Ser? Deus ou o dinheiro?


No livro Ter ou Ser? Erich Fromm nos alerta pra duas maneiras de viver a experiência do existir na sociedade moderna: o modo TER e o modo SER, ambos com forte impacto sobre o caráter social dos indivíduos. A cultura moderna, no entanto, engendrou na maioria das pessoas a primeira perspectiva invertendo a máxima de Shakespeare, Ser ou não Ser, por Ter ou não Ser. Se você não tem, logo você não é. O caráter egoísta, o sentimento de posse, a vida centrada nas coisas e não nas pessoas foi se afirmando como característica fundamental da sociedade industrial alicerçada no trinômio dinheiro, fama e poder.

Quando dizemos: “tenho um problema”; “tenho insônia”; “minha doença”; “minha mulher”; “meu amor”; o sentimento de propriedade é tão forte que dizemos ter o que, de fato, só podemos sentir. Chama-nos atenção Fromm: O amor é uma atividade, não um afeto passivo; é um ato de firmeza, não de fraqueza... é propriamente dar, e não receber. Preocupadas em “ter muito” e não em “ser muito” as pessoas foram construindo seus projetos de felicidade e acabaram por consagrar a injustiça social, a exclusão e a pobreza. O fetiche da mercadoria, a crença no progresso e o prazer do consumo acabaram por levar ao vazio e a desumanização das relações sociais.

Esse ano a campanha da fraternidade oportunamente trouxe como tema “Economia e Vida” na intenção de promover a seguinte reflexão: a economia deve estar a serviço da vida ou a vida a serviço da economia? A idéia é subverter a premissa capitalista e combinar eficiência econômica com justiça social e respeito ambiental para construir, numa cultura de paz, um mundo mais solidário e fraterno.  Num tempo em que o dinheiro se tornou o deus de tanta gente o lema da campanha vem lembrar que é preciso separar os valores: “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”.  Toda vez que transformamos o dinheiro num valor absoluto nos frustramos traumaticamente por perceber que o dinheiro não compra o sossego, o amor e amizade e a sinceridade. 

Entendendo que a pobreza é produto de decisões políticas e que os pobres são explorados em seu trabalho, ao produzirem uma riqueza da qual eles não podem desfrutar, a campanha destaca o papel do cristão em lutar para denunciar as injustiças e construir um mundo melhor. A propósito da exploração do trabalho, a campanha destaca, ainda, o papel da Economia Solidaria como alternativa a ser seguida.  Trata-se de um jeito diferente de produção e comercialização de produtos que vem se desenvolvendo nos últimos anos como uma possibilidade inovadora de geração de trabalho e renda, promovendo a inclusão social.

Um simples gesto de amor reinventa o cotidiano e um mundo diferente se descortina antes do entardecer. 

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
21/02/2010 | 23:14 | Veridiano Santos
Corrupção e Esvaziamento da Política

Mais uma vez a sociedade civil se escandaliza com as imagens de corrupção que vieram à tona nos últimos meses diretamente do submundo da política de Brasília. E mais uma vez a sociedade tomou conhecimento através de uma denúncia particular de um dos envolvidos e não por meio de uma investigação da polícia ou de uma auditoria de algum tribunal. Como na maioria dos escândalos envolvendo dinheiro público, só ficamos sabendo por que as nossas elites brigaram entre si e alguém resolveu jogar a coisa no ventilador para se vingar. Aliás, o nome escândalo, inventado pela própria mídia, é um excelente eufemismo para Roubo, Furto e coisas do gênero.

Quando veio a público o mensalão do PT todos ficaram bestificados, logo depois se soube do mensalão do PSDB em Minas Gerais e agora explode o mensalão do DEM na capital federal.  O mensalão existiu, está acontecendo em algum lugar neste instante e acontecerá no futuro nas três instâncias de poder, federal, estadual e municipal. É uma traquinagem do jogo político no regime republicano brasileiro. A única coisa de novo mesmo foi a palavra mensalão criada por Roberto Jefferson para explicar uma prática bastante antiga da qual  ele mesmo fora um exímio protagonista.

O mensalão é, portanto, a prova mais cabal da impureza ética da atividade política. É a certeza de que ninguém, neste país, governa sem apertar a mão dos coronéis da política, sem fazer concessões às empresas financiadoras de campanha , sem alocar verbas para senadores, deputados e vereadores. É um fenômeno que reside onde não há luz e a justiça quase não chega. Acontece na tríplice e estreita fronteira que liga os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e sua trilha perpassa gabinetes, salas de assessores, reuniões secretas, e segue até chegar ao desgastado palácio da governabilidade. Enfim, é aquilo que, por debaixo do pano, estabiliza a República.

Enquanto não formos capazes de dar a devida transparência ao processo político e criar os mecanismos necessários para fiscalizar a gestão pública, continuaremos a nos escandalizar com gente pondo dinheiro do povo na cueca, na meia e lugares improváveis. Na era em que o espaço da política se esvazia e o espaço da publicidade ganha terreno, as câmaras escondidas vão nos revelar os segredos mais nojentos do mundo subterrâneo da política tradicional. Talvez de nossa aversão, nossa descrença e indiferença nasça outra forma de reinventarmos a política e reinventarmo-nos também.

A propósito, até um dia desses em Caruaru se alardeava a respeito de um rombo de mais de oitenta milhões. O que aconteceu? Ta tudo tão quieto.Ta um sileeeeeeeeeeeencio.

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
01/02/2010 | 23:17 | Veridiano Santos
Homem Público Falando Besteira


Eu ainda me lembro de quando o então ministro Rubens Ricupero, na edição do plano real em 1994, confidenciou ao jornalista Carlos Monforte da TV Globo, seu cunhado, sem saber que ainda estava no ar via satélite: “Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde". O episódio ficou conhecido como o escândalo da parabólica e ocorreu em plena campanha eleitoral sem, no entanto, causar danos ao candidato do governo, Fernando Henrique Cardoso que se elegeu.

No fim de dezembro último outro absurdo veio à tona quando o apresentador Boris Casoy, agora na TV bandeirantes, disparou, depois de ver garis desejando feliz ano novo, sem perceber que o áudio não havia sido cortado: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho."

Nos últimos dias fomos brindados com mais uma dessas declarações estapafúrdias que deixou todo mundo bestificado. O cônsul do Haiti, George Samuel Antoine disse também sem perceber que estava no ar e no calor de uma das mais horríveis catástrofes da história moderna na América Central: "A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido"; "Acho que, de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f..." pontuou.

O lugar da fala de um homem público é sempre o lugar dos discursos prontos, das frases de efeito e de resultados calculados. È o lugar de um discurso oficial, elaborado na perspectiva de quem vai ouvi-lo. Porém, quando um homem público deixa escapar, por um deslize qualquer, uma fala, confidência ou comentários que expõem opiniões estritamente pessoais as repercussões e impactos podem ser para além de indesejáveis de vez que sua face mais íntima será estampada. Em 1994 Ricupero teve que deixar o governo. Ele falou o que todo mundo sabia, mas um homem público naquela posição não poderia jamais dizer. 

Já o Boris Casoy, ironicamente um descendente de imigrantes judeus russos, sendo preconceituoso com os garis é uma contradição imperdoável. Logo ele que ocupa o lugar de paladino da moralidade e foi o criador do bordão, Isto é uma vergonha, que nunca esteve tão apropriado a ele mesmo. Grevistas, sem terras, sem teto, professores e muitos outros já foram vítimas de suas opiniões sempre muito conservadoras. E ele ainda se diz estigmatizado pela imprensa porque um dia foi acusado de pertencer ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas) grupo que agia no tempo da ditadura militar.

No caso do cônsul do Haiti, está muito clara a distância cultural e simbólica entre aquele povo e o seu “representante” no Brasil. É difícil imaginar que alguém, como ele, pudesse se aproveitar de uma situação tão limite para se promover, muito menos ser fascista para com as religiões afrodescendentes. Calígula, imperador romano, deu o título de Cônsul ao seu cavalo (Incitatus), já no Haiti, curiosamente, parece que deram este título tão nobre a uma besta. 

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
15/09/2008 | 17:47 | Veridiano Santos
IVÂNIA, QUEIROZ E RIVALDO: Marketing e estratégias.


Nesta campanha política o trabalho de marketing é uma cartada fundamental para promover o candidato e torná-lo aceitável pelo eleitor. Os marketeiros e estrategistas travam nos bastidores da disputa política uma luta sem precedentes para popularizar seus respectivos candidatos. Com mudanças importantes na legislação eleitoral eles foram obrigados a repensar suas metodologias e ações para não serem enquadrados em multas e punições mais severas. Nessa perspectiva, os níveis do embate estão, aparentemente, mais civilizados.

Com a proibição dos showmícios ficou difícil atrair o eleitorado, assim, os coordenadores de campanha desistiram dos grandes eventos e passaram para o corpo a corpo em reuniões plenárias, caminhadas e visitas aos eleitores nas comunidades, numa caçada voto a voto. Investir pesado no guia eleitoral de rádio e televisão foi um outro ponto importante para atingir o eleitor em sua residência e para isso nomes tarimbados das respectivas áreas foram contratados para criar imagens sensibilizadoras dos seus candidatos.

Do lado de Zé Queiroz, Wolney Queiroz, Duda Mendonça e companhia produzem a imagem de um Zé Queiroz que fala mais baixo e manso. Com sua camisa gola pólo vermelha, ele aparece sempre colado à imagem de Lula e Eduardo Campos. No cenário da televisão ele, na maioria das vezes, aparece sentado no bureau tendo ao fundo uma paisagem panorâmica da cidade e elementos regionais decorando o ambiente. Do lado de Ivania Porto, Tony Gel, Miriam Lacerda, Adjar Soares e outros exploram amplamente a imagem de mulher e as qualidades estéticas da candidata, de maneira tal que sua dificuldade com a dicção fica amenizada. A sua imagem está tão colada a imagem de Tony Gel que nas ruas eleitores desatentos confundem se ele é candidato a vereador ou a vice-prefeito.

Já do lado de Rivaldo Soares o Professor Mota cola a imagem de seu candidato imagem a de Jarbas Vanconcelos, Raul Jugman e Neguinho Teixeira. Aquilo que o Fotoshop fez com a fotografia de Rivaldo é algo espetacular. O empresário ficou tão jovem que parece garoto propaganda da Gillette. O tom da campanha de Rivaldo é um pouco mais agressivo em razão da conjuntura local. Imagens um pouco fortes, denúncias e comparações tomam a maior parte de seu guia.

O maior cabo eleitoral é o presidente Lula. Sua imagem e/ou seu nome é ventilado impreterivelmente entre inserções diretas e indiretas. A proximidade das eleições e o andamento do processo fazem à disputa política ficar mais acirrada. E aí Zé Queiroz é o que mais sofre ataques de seus adversários. O desfeche desse confronto promete momentos emocionantes. È aguardar pra ver ou intervir pra acontecer, leitor?

 

 
Comentários (2) | Comentar Imprimir
 
22/08/2008 | 15:37 | Veridiano Santos
20 ANOS DE CONSTITUIÇÃO E UMA CIDADANIA INFANTIL

No mês de outubro que se avizinha o Brasil comemorará 20 anos de vigência da Constituição de 1988. Uma reflexão dos avanços e recuos nessas duas décadas é, com certeza, um tema na ordem do dia para se debater: até que ponto os direitos garantidos pela nossa Carta Magna foram cumpridos? Até que ponto a desigualdade, a discriminação, a segregação e a injustiça social foram superadas?


 
Quando o projeto final foi a provado 05 de Outubro de 1988 e apresentado à nação pelo então deputado Ulisses Guimarães, presidente da constituinte havia um clima de expectativa e otimismo, afinal, após vinte e um anos de ditadura, o país retornava ao regime de Estado Democrático de Direito. Esperava-se, não somente, que a herança autoritária fosse extirpada como também que o país pudesse honrar sua dívida histórica com milhões de brasileiros sem acesso a educação, saúde, moradia e muitos outros direitos que foram por tanto tempo negados, especialmente aos mais pobres.

De fato, o texto final de nossa Carta-mor era tão bonito quanto romântico, ao ponto da crítica internacional tê-la considerado uma das mais liberais e democráticas do mundo. Foi a primeira vez que um projeto de constituição recebeu emendas populares no Brasil e os parlamentares não economizaram nos direitos sociais, que foram aprovados aos montes. Ao fim, ela foi denominada de Constituição Cidadã. 

O artigo quinto, por exemplo, era de uma beleza incomparável: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)”. Porém o fosso entre a teoria e a prática logo foi se alargando, uma vez que o mesmo texto não dizia de onde viriam os recursos, nem tampouco quem seria punido caso os supracitados cidadãos não tivessem seus direitos efetivamente aplicados.

Ao longo desse período, assistimos, por um lado, ao fortalecimento do poder Executivo, na medida em que 85% das mudanças nas leis foram de autoria do governo. O excessivo número de medidas provisórias também reforça esse impasse. Como se não bastasse vimos nascer um Estado com sede de tributos e um impressionante déficit público. Nem de longe a Constituição é a mesma. Já são cerca de 250 artigos e mais de 60 emendas constitucionais em apenas 20 anos. A título de comparação, a Constituição dos EUA, com mais de duzentos anos, possui apenas 7 artigos e 26 emendas.

Por outro lado, vimos cidadania apenas começar com a aprovação de Leis, códigos e estatutos que regulamentam muitos direitos garantidos em 88, do que são exemplos, as leis de Responsabilidade Fiscal e de Diretrizes Orçamentárias, o Código de Defesa do Consumidor, o Código Nacional de Transito, o novo Código Civil o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, o Estatuto das Cidades, entre muitos outros que sinalizam nessa direção. Será que a urgência de nossos problemas espera uma cidadania tão lenta?

 

 

 
Comentários (1) | Comentar Imprimir
 
12/08/2008 | 00:15 | Veridiano Santos
Polícia Prende e Justiça Solta.


Neste mês de Julho que passou o Brasil inteiro foi surpreendido quando o noticiário anunciou a prisão pela Polícia Federal de três “cordeirinhos” nada inocentes: Naji Nahas (doleiro e especulador), Daniel Dantas (banqueiro) e Celso Pitta (ex-prefeito da estirpe Maluf), além de uma corja. Essas três figuras estavam se articulando havia algum tempo e só Deus sabe o que tramavam. A operação foi toda coberta pela TV Globo (não entendo porque o privilégio) sob verdadeira comoção da opinião pública que se deleitava ao ver atrás das grades figurões daquele quilate. 

A euforia, porém, durou apenas três dias. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, concedeu hábeas corpus e os três foram descansar tranqüilos em suas mansões. Aí Daniel Dantas foi novamente preso acusado de subornar um delegado federal com a pequena bagatela de Um Milhão de Dólares.  Novo hábeas corpus foi concedido por Mendes e a partir de então uma crise entre o Executivo e o Judiciário foi desencadeada tendo como protagonistas a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.

Como se sabe, Gilmar Mendes não gosta de ver pessoas algemadas e critica o que chama de excessos da PL expondo ao constrangimento público o cidadão. No caso dos acusados há antecedentes de passagem pela justiça. Naji Nahas já foi acusado e inocentado de ter quebrado a bolsa de valores do Rio em 1989. Daniel Dantas foi acusado de violação de sigilo e improbidade administrativa. Celso Pitta foi culpado no escândalo dos precatórios. Agora pesa sobre eles acusações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e corrupção.

Quem quiser que acredite que o ministro agiu respaldado pelo código de processo penal. Quem quiser que acredite que o Ministro agiu em defesa do Estado de Direito. Eu acredito em Daniel Dantas que disse, por meio de um assessor, estar muito tranqüilo quanto à prisão, antecipando, acertadamente, que se preocupava "apenas com o processo em primeira instância, uma vez que no STJ e no STF ele resolve tudo". Eu acredito em Noel Rosas que cantou ser a lei no Brasil dura para os pobres.

Quem não se lembra quando o mesmo STF através do ministro Marco Aurélio de Melo mandou soltar Salvatore Cacciola e ele aproveitou para fugir do país? Se não fosse príncipe de Mônaco ele iria morrer tranqüilo na Itália. No Brasil a máxima dura lex sede lex (a lei é dura, mas é a lei) não serve para os ricos.

Em Caruaru tivemos um caso semelhante envolvendo o legislativo e o judiciário que intrigou os caruaruenses. O vereador Louro do Juá foi cassado na Câmara Municipal por quebra de decoro e/ou improbidade administrativa, mas foi reempossado por força de uma liminar expedida pela justiça. Cícero estava certo: a esperança de impunidade estimula o delito.

 

 
Comentários (2) | Comentar Imprimir
 
20/05/2008 | 00:04 | Veridiano Santos
Casa dos Representantes de Si Mesmo

Nos últimos meses, ouvi muitas críticas aos vereadores de Caruaru. Tudo isso depois que um deles apareceu no Jornal Nacional fazendo turismo em Buenos Aires a custa do contribuinte e a imprensa local divulgou parecer do TCE apontando possíveis irregularidades. Nesta mesma imprensa, nas rodas de amigos, nas conversas de esquina não se viu outra coisa, a não ser demonstrações de insatisfação, xingamentos, bravatas e expressões indignadas.
 
Tais gestos tiveram pouco impacto. A Câmara não só ignorou a opinião pública como, numa demonstração clara de casuísmo eleitoreiro, no dia 17 de março, sutilmente, aprovou a lei 4670, criando 37 cargos comissionados com vencimentos de até 1500 reais. E o pior é que quando a imprensa local quis saber os detalhes da tal lei, a mesa diretora parece ter omitido informações.

 

Tamanho descalabro mostra a fraqueza de nossas instituições e da própria sociedade civil. Nós, os críticos, fomos omissos. Cochilávamos enquanto a Câmara votava privilégios. Quanto ao povo, a maioria de nós não se lembra em quem votou. Não assistiu nem se quer a uma sessão da câmara, não ligou, não pressionou, não reclamou ou protestou sobre nada, enquanto decisões importantes eram tomadas. Temo que tanto alarde venha esconder, por outro lado, as hipocrisias de muitos que, em outubro, deverão renovar o mandado daqueles parlamentares.

Estamos muito mal no quesito cidadania. Nossos supostos representantes municipais agem com liberdade excessiva. Diga leitor, você se lembra de alguma lei aprovada na Câmara Municipal que lhe beneficiou ou de alguma ação contundente de fiscalização do legislativo sobre o executivo? Então é por isso que as coisas são assim.  O papel do legislador municipal é elaborar leis e fiscalizar o executivo, mas em Caruaru isso quase não é possível. A razão é porque o povo mandou para a Casa José Carlos Florêncio cabos eleitorais que foram eleitos para dar sustentação ao prefeito. Nem adianta o povo ficar por aí insinuando que a câmara só sabe distribuir, aos montes, título de cidadão, voto de aplauso e voto de pesar. 

Não se pode esperar muito da Câmara. Nossos vereadores devem muito pouco ao povo. A maioria pagou caro por suas campanhas. Muitos deles, na base do fisiologismo, obtiveram quase todos os seus votos, o povo não tem do que reclamar. O povo não pode querer que os vereadores pensem a cidade. Parte deles nem a conhecem. Foram eleitos por seus redutos e só atuam nele. Todos os meses distribuem, nesses feudos, centenas de autorizações de exames, remédios, etc. No fundo nossos representantes, em sua maioria, representam a si próprio, foi assim que o povo quis.

Fiquei sabendo que tramita na Câmara um projeto que pretende transferir a sede do Poder Legislativo Municipal para uma área lá perto do cemitério Parque dos Arcos. Não me admira. A câmara quer sossego e distância do povo. A propósito, a maioria dos vereadores são, novamente, candidatos e muitos já dão por certa sua reeleição. E nada é tão ruim que não possa piorar na próxima legislatura com tanto aventureiro sonhando em ser vereador de Caruaru.

 
Comentários (1) | Comentar Imprimir
 
09/04/2008 | 17:35 | Veridiano Santos
Caruaru: o lazer, a violência e a periferia



A cada final de semana, a cada feriado, a cada temporada de ferias a cidade parece, muitas vezes, abandonada. Os abastados se apressam, vão para suas fazendas, para os Shopings e praias da capital. Vão para Tamandaré, São José e Maragogi, verdadeiras colônias de férias da classe média caruaruense. Os pobres se recolhem em suas periferias. Vão, ao bar da esquina. Viajam quando as condições permitem. A paisagem urbana se mostra deserta.  As ruas vazias e as noites silenciosas. 
 

Apesar de saber que parte da população caruaruense tem uma relação extremamente utilitarista com a cidade, ou seja, está aqui para ganhar dinheiro, seja trabalhando ou comercializando, sempre desejei saber a razão do desapego daqueles que, no primeiro momento, deixam Caruaru e vão em busca de outras seduções. Um dos motivos é que muitos imigrantes, como eu, que vieram para cá guardam relações de identidade com parentes que estão nas cidades circum-vizinhas. Outro é que é até normal às pessoas gostarem de fazer turismo e conhecer outros lugares.

No entanto, acredito que mais grave é o fato da cidade não oferecer espaços democráticos de encontros e trocas afetivas e simbólicas entre a população. Onde estão os espaços públicos de lazer? Onde fica o parque, o teatro municipal, o ginásio municipal de esportes, as ciclovias, os jardins, as praças e as apresentações culturais? Nossa! Como cidade é mais pobre sem os espaços de circulação, encontros e recreações. Cadê as festas populares e religiosas nos bairros, cadê os concursos, os desfiles, as quermesses??? Sem espaços de sociabilidades e inclusão é possível entender o marasmo que paira sobre a cidade fazendo com que a paisagem urbana se torne sem graça.

Na ausência do espaço público, os espaços privados de consumo, lazer e cultura se propagam, mas não são baratos e poucos podem pagar, além disso, a qualidade é questionável. Os que não podem pagar se entregam à bebida, às drogas, à rebeldia, ou se recolhem no silêncio frio dos feriados. Enquanto o poder público se preocupa em centralizar as ações culturais em festa de massa a violência cresce, o crime organizado se instala e a cidade alcança um número absurdo de homicídios que a população ironicamente fica informada através de programas radiofônicos que se intitulam de hora da justiça ou da justa. 

A periferia da cidade cresce em ritmo acelerado desde os anos oitenta. Com ela cresce os problemas. Mas a periferia não é o problema, ela é o resultado de um crescimento desordenado, mal planejado e de um processo de exclusão que remete para as áreas mais distantes aqueles que não teriam espaço no centro. Entre a periferia e o centro há um fosso cada vez mais extenso.  Quem mora na periferia só vai ao centro para trabalhar. Ao fim do dia de serviço, o gado humano se recolhe a sua insignificância.   A periferia é o lugar onde o poder público vai mais para reprimir do que para assistir.

A primeira presença fixa nesses lugares é o das Igrejas Evangélicas que chegam tão logo se assentam os primeiros tijolos.  O saneamento básico é incompleto quando não ausente, o transporte público é precário. A saúde só não é um caos porque o SUS, através da Estratégia de Saúde da Família, também chama da de PSF, consegue minimizar as doenças infecto-contagiosae e outras mazelas. Desassistidos e esteriotipados os bairros e comunidades periféricas vão se tornando uma bomba relógio que vai explodir como uma grande questão social e isso não vai demorar, o leitor pode crer.

 

 
Comentários (1) | Comentar Imprimir
 
10/03/2008 | 21:22 | Veridiano Santos
O Pleito Eleitoral e a Fraqueza das instituições


Assim como em outros lugares do País a campanha política foi antecipada, em muito, na cidade de Caruaru. A revelia da legislação eleitoral, os candidatos já estão nas ruas abraçando os eleitores e distribuindo abraços acalorados. Slogans em adesivos estampam os vidros dos carros, outdoors trazem caras e caretas, santinhos e calendários estão sendo entregues às pessoas. Nos bares, cafés, esquinas, restaurantes; cabos eleitorais de sorriso aberto e com tapinhas nas costas apresentam seus candidatos chamando atenção dos cidadãos desta terra. Nos bastidores, articulações e alianças são costuradas na base do fisiologismo e das possibilidades.
 
É, no mínimo, curiosa a maneira como funciona a política local. Nenhum fórum de debates sobre os problemas da cidade foi aberto. Nenhuma discussão com a sociedade foi estabelecida. Nenhum estudo apurado sobre as principais questões e as possíveis soluções para os problemas que afligem nossa gente foi apresentado a qualquer cidadão de Caruaru. Você amigo leitor, por acaso, foi convidado a participar de alguma discussão ou da construção de algum programa de governo? Entretanto, os candidatos ao Palácio Jaime Nejaim e, especialmente, a Casa José Carlos Florêncio são aos montes.

Numa cidade que despreza o papel do homem público, qualquer esperto quer quatro anos de mandato. A campanha é cara, mas a vitória compensa o investimento porque o cidadão não tem mais compromisso com ninguém. E tome óleo de peroba para cara-de-pau dos que agem como querem sob a fraqueza das instituições e da ausência de pressões de grupos sociais inertes e desorganizados. Saem às ruas para pedir votos com uma retórica vazia, sem nada a oferecer de concreto, sem proposta, sem programa e esquecem que os tempos são outros. O pior é o silêncio, a omissão e a conivência de vários setores da imprensa, das faculdades e universidades; dos sindicatos, das associações, das Igrejas e demais entidades de classes. Ah! se essa gente praticasse o conceito de responsabilidade social nós teríamos uma cidade muito melhor. Mas, não se enganem não, afinal a sociedade vai cobrar mais cedo ou mais tarde.

O que cabe a todos nós, nesse momento, é indagar até que ponto nossos políticos podem responder efetivamente as demandas sociais e econômicas que nos afligem todos os dias e que precisam, urgentemente, de soluções políticas eficientes. Será que os grupos políticos tradicionais podem oferecer à cidade um projeto de governo digno da representatividade do povo caruaruense? Será que a nossa política se ressente de um projeto novo, popular que dialogue com os diversos setores sociais no claro objetivo de encontrar soluções para os graves problemas de Caruaru?

Que cidade tem encontrado milhares de consumidores que saem de suas casas para fazer compras em Caruaru? Que trânsito encontram o turista e o cidadão comum que usam o espaço urbano cotidianamente? Que segurança encontram aqueles que saem e chegam do trabalho ou do estudo, todos os dias? Que patrimônio cultural pode-se oferecer aos nossos cidadãos e àqueles que visitam a cidade? Como preparar Caruaru para receber tantas pessoas que estão chegando facilmente à cidade depois da duplicação da BR 232 e, muito em breve, também, da duplicação da BR 104? Que políticas públicas serão destinadas às comunidades periféricas que vivem sem saneamento básico e sem outros serviços públicos de que tanto precisam? São perguntas que não querem calar para soluções que muitos não têm competência para encontrar.

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
25/02/2008 | 16:38 | Veridiano Santos
A Renúncia de Fidel Castro

 A notícia já era, até certo ponto, esperada. Mesmo assim, o mundo se surpreendeu com as manchetes que tomaram o noticiário internacional anunciando a renúncia do líder cubano Fidel Castro, 81 anos, do cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante das Forças Armadas. Adoentado, visivelmente abatido e com sinais explícitos de esgotamento físico, Fidel estava no poder havia 49 anos. Para muitos, ele é ídolo, mito e símbolo de resistência. Para outros tantos, não passa de um ditador, representante de um sistema retrógrado e autoritário.

A atitude de Fidel foi mais uma cartada do velho e carismático líder. Enquanto as agências internacionais, na verdade, esperavam receber a notícia de sua morte, ele atacou de mestre espantando o mau agouro e dando a entender que uma transição, preservando as conquistas da revolução e o próprio regime socialista, pode estar em curso em Cuba. Fidel está administrando sua sucessão. Notícia que irrita, profundamente, os exilados cubanos de Miami e o governo dos Estados Unidos, a mais de 40 anos concorrendo, sem sucesso, para o fim daquele regime. O agouro continua. O embargo também.

Depois de quase meio século a frente do Regime Socialista na Ilha pode-se questionar o legado que Fidel deixa para o seu país ou, ainda, qual teria sido o destino de Cuba sem ele e a Revolução. No primeiro caso os cubanos herdam um regime centralizador, unipartidário, com raríssimas oportunidades para o exercício da liberdade de expressão, reunião e organização, num país isolado e atrasado tecnologicamente. Contraditoriamente, um regime com índices sociais invejáveis até por países ricos, com destaque para a saúde, educação e esportes, nos quais o país é uma potência.

 No segundo caso, se Cuba não tivesse seguido na trilha do socialismo, é muito provável que estivesse na mesma posição de seus vizinhos na América Central, Haiti, República Dominicana, Honduras, Guatemala, entre outros, em que a situação sócio-econômica é, por demais, conhecida pela miséria e atraso em que vivem. Nunca é demais lembrar que antes da Revolução Cuba era uma Ilha, na qual os Norte-Americanos sustentavam a Ditadura de Fugêncio Batista e visitavam para freqüentar cassinos, prostíbulos e outras fantasias.  Quanto a Fidel, ele mesmo disse: "Podem condenar-me, não importa, a história me absolverá".

A revolução cubana exerceu grande fascínio no Brasil: Juscelino Kubitschek recebeu com honras Fidel Castro; Jânio Quadros condecorou Che Guevara; nos anos 60 grupos guerrilheiros adotaram a teoria do foco cubana para derrubar a ditadura militar. Já Caruaru foi uma cidade extremamente reativa as idéias socialistas, tendo suas instituições se mobilizado para anular a ação de células comunistas e perseguir simpatizantes. Enfim, o socialismo não triunfou, o capitalismo venceu, mas não convenceu e os ideais por justiça social continuam acesos.

 

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
22/02/2008 | 15:59 | Veridiano Santos
Caruaru: a cidade e a água

 

A maior bandeira política da história de Caruaru foi e continua sendo a água. Há mais de um século os principais grupos políticos da cidade tiram dividendos políticos utilizando-se do tema do abastecimento de água. Ao longo do século XX os caruaruenses já ouviram muitas vezes nossos políticos anunciarem a solução do problema, especialmente as véspera dos pleitos eleitorais. Nessa medida vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores já arrancaram muitos votos dos cidadãos de Caruaru com as promessas de resolverem definitivamente o problema da água na cidade.

Relatos históricos dão conta de que desde as primeiras décadas daquele século Caruaru enfrenta problemas com o fornecimento de água. Também é desse período que a população já protestava sobre a falta de água ou do precário abastecimento. O crescimento populacional e comercial da cidade desde cedo demandou um consumo relativamente potencial, sendo o Rio Ipojuca, a Lagoa da Porta, a Lagoa do Prado e o Açude de Serra dos Cavalos insuficientes para sanar o problema.  Essa situação em diversos momentos trouxe grandes aflições ao nosso povo.

As páginas do Jornal Cinco de Novembro, principal jornal de Caruaru até 1930, registram disputas de Guilhermistas e Portistas, os primeiros grupos políticos de Caruaru, que já se digladiavam em torno das questões do abastecimento de água na provinciana cidade. A façanha de Antônio Menino o visionário que prometeu, no final da década de 10, trazer a água de Serra dos Cavalos até a cidade em canos de barro confeccionados pelo próprio, marcou época naquela cidade dita princesa. Até o governador José Rufino Bezerra Cavalcanti zombava do projeto de Antônio Menino, mas o fato é que, mesmo com muitos percalços, o “matuto” conseguiu fazer a água chegar à Rua Preta onde inaugurou um chafariz e conforme narrou Azael Leitão na Revista do Agreste cobrava 2 vinténs a lata.

Apesar de ganhar algum trocado o projeto dos canos de barro trouxe muita dor de cabeça a Antônio Menino. Os canos não agüentavam a pressão da água e quebravam constantemente, exigindo reparos a toda hora. Logo que o fornecimento era cortado os clientes reclamavam e pressionavam por uma solução urgente. Antônio Menino se punha a substituir os canos de barro por canos de ferro em alguns trechos, mas o problema era grande demais para nosso irreverente e utópico herói. Por fim no governo do interventor Carlos de Lima Cavalcante uma adutora foi construída.

Mesmo assim, dos anos trinta para cá as páginas de Vanguarda são fartas em reportagens sobre a problemática do precário abastecimento de água. Os anos passaram, veio a construção do reservatório de Taquara, Tabocas e até barragens que levavam o nome de políticos. Os chafarizes e os carregadores de água foram, gradativamente, saindo de cena a medida que uma torneira era instalada em cada casa. Entretanto não foram poucas as vezes que a população teve o fornecimento cortado ou suportou racionamentos e rodízios que atrasavam, em dias e meses, a chegada da água. As reclamações contra a companhia de abastecimento são históricas, com a conta chegando sempre antes da água.

 Sem água o suficiente a cidade quase teve de se contentar com sua vocação comercial, de vez que, sem o líquido precioso, a industrialização não se desenvolveria.  A propósito, nos anos 90 assistimos dois grupos políticos se debateram em torno das barragens do Prata e Jucazinho, das quais jorrariam milhões de metros cúbicos de água para a cidade, sendo a solução definitiva para aflição de todos. A água ainda atrasa, mas o povo aprendeu a se defender, cada residência tem um reservatório de alguns milhares de litros.  Mesmo que á água não falte nas torneiras o povo já não confia e aperta o orçamento para comprar a mineral oferecida muito caro em cada porta.

 

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
06/02/2008 | 23:38 | Veridiano Santos
Caruaru: A cidade a identidade, os heróis e os símbolos.


O que é uma cidade? Que tramas e artimanhas discursivas constituem e instituem a história de uma cidade, fazendo dela um instrumento através do qual indivíduos e/ou grupos sociais constroem noções de pertencimento e identidade? A emergência da vida urbana na cidade de Caruaru foi acompanhada do esforço de construir sua identidade. Quando a cidade era uma pequena mancha urbana na geografia que opunha litoral e sertões apareceram os discursos para designá-la como a “Princesa dos Sertões”, ou ainda a “Terra dos Avelozes Esmeraldinos”. Quando a identidade nordestina foi sendo desenhada e a configuração de sua geografia foi subdividida em mata, agreste e sertão, em meados do século XX, outros discursos emergiram para fazer Caruaru a “Capital do Agreste”.

Foi nessa mesma época que grupos locais passaram a lutar para definir, também, os heróis e os símbolos da cidade que acabara de virar sede de bispado. José Rodrigues de Jesus venceu a disputa com João Vieira de Melo. Embora não estivesse vivo quando a freguesia foi elevada à vila e depois à cidade, esse personagem foi instituído como fundador. É evidente que, nesta disputa, pesou a força da Igreja Católica e no ano do centenário, 1957, sua figura foi reinventada por um escultor que se utilizou de um descendente de Rodrigues para fazer uma estátua, a qual foi fincada perto da coletoria.

Enquanto o Brasil procurava por sua própria identidade, na imprensa do Rio de Janeiro os irmãos Condé encontravam espaço para mostrar o nordeste enquanto um pedaço desconhecido do sudeste do Brasil.  Foi no espaço da imprensa carioca que Caruaru passou a figurar como uma cidade símbolo das tradições nordestinas. Os Condé, que escreviam crônicas, contos, novelas e romances ambientados em Caruaru, sempre revisitavam a cidade natal. Numa dessas visitas, João Condé, andando pela feira de Caruaru, se deparou com os bonecos de barro de um artesão cujo nome era Vitalino e resolveu levá-los para a cidade maravilhosa onde fizeram muito sucesso.

Depois, João Condé passou a chamar aquele artesão de mestre, e em 1960 ele foi convidado a ir ao Rio de Janeiro, ocasião em que foi recebido, entre outras autoridades, pelo então governador Sete Câmara, que o agraciou com a medalha Sílvio Romero. Vitalino Pereira dos Santos viraria herói não só de Caruaru como da própria cultura nordestina. Por essa época as rádios do Brasil tocavam a composição de Onildo Almeida cantada por Luiz Gonzaga. “A feira de Caruaru” se difundiria pelo país e ajudaria a compor o repertório de imagens exóticas com as quais Caruaru procurava se mostrar. A feira viraria, assim, o maior símbolo da cidade.

Enquanto Nelson Barbalho se esforçava para dar uma história a Caruaru, em meados dos anos 60 Gilberto Gil conheceu a banda de pífanos, ficou encantado e os chamou de "Beatles" de Caruaru. A banda de pífanos também viraria um símbolo cultural de Caruaru e do Nordeste. No começo dos anos 70, exatamente no Governo de Anastácio Rodrigues, a bandeira e o hino de Caruaru passariam a compor a galeria dos símbolos da cidade.  Nos anos oitenta, quando as festividades de São João foram centralizadas numa festa de massa, os grupos políticos locais, pensando em atrair turistas e superar a rival Campina Grande, passaram a difundir a idéia de que Caruaru seria a capital do Forró. O forró também se firmaria como um símbolo através do qual a cidade procura se exibir na contemporaneidade.
 

 
Comentários (0) | Comentar Imprimir
 
1 2
 
 
Veridiano Santos
 
Seções
Seções Página inicial
Seções Caruaru ( 16 )
Seções Geral ( 6 )
 
Buscar no Blog
Palavra-chave:
Ok
 
Arquivo
Setembro / 2010 ( 0 )
Agosto / 2010 ( 0 )
Julho / 2010 ( 0 )
Junho / 2010 ( 2 )
Maio / 2010 ( 0 )
Abril / 2010 ( 0 )
Março / 2010 ( 2 )
Fevereiro / 2010 ( 2 )
Janeiro / 2010 ( 0 )
Dezembro / 2009 ( 0 )
Novembro / 2009 ( 0 )
Outubro / 2009 ( 0 )
 
Versão RSS
RSS Assine a versão RSS
 
Outros Blogs
Chama a Perícia aí!
Cinema e Filosofia
Conect FISIO
Direito e Filosofia
Fala Professor!
Humanos Direitos
Politicando
Saúde Legal
Vida Ativa
 
(*) Todo o conteúdo publicado neste blog é de responsabilidade de seu autor e não necessariamente expressa a opinião do Portal Asces.
 
 
rss

FARMÁCIA

O Dia da Farmácia foi comemorado na Faculdade Asces com palestras e importante convênio para Farmácia Escola da Instituição

pontilhado

DIREITO

Professores do curso de Direito da Faculdade Asces concorrem à final do Prêmio Jabuti de literatura na categoria Direito

pontilhado

ODONTOLOGIA

O projeto Asa Branca de Combate e Prevenção ao Câncer de Boca confirma favoritismo e foi o grande vencedor do Prêmio Jornal Extra de PE

pontilhado

PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

O dia foi comemorado entre estudantes e professores com diversas atividades físicas na Instituição

mais notícias
 

>> Resultado de seleção para preceptores do curso de Enfermagem - Etapa II [ pdf ]

pontilhado

>> Resultado da seleção do projeto de extensão: Prevenção do câncer de colo uterino [ pdf ]

pontilhado

>> Resultado de seleção para preceptores do curso de Enfermagem - Etapa I [ pdf ]

pontilhado

>> Edital de seleção para farmacêutico bioquímico para a Faculdade Asces [ pdf ]

mais downloads
.eventos
.programas
.parceiros
 
Navegue pelo Portal Asces
 

Institucional

Diretoria
Quem Somos
Estrutura
História
Localização
Ouvidoria

Graduação

Administração Pública

Direito

Relações Internacionais

Serviço Social

Engenharia Ambiental
Biomedicina
Educação Física
Enfermagem
Farmácia
Fisioterapia
Odontologia

Pós Graduação

Pesquisa
Regimento
Projetos de Pesquisa
Pibic

Extensão
Regimento
Projetos de Extensão

Órgãos
Comitê de Ética
Biossegurança

Eventos Acadêmicos
Revista Acadêmica
Biblioteca
Vestibular

Asces en Foco
Últimas Notícias
Expresso Asces
Revista Digital
Editais e Concursos
Downloads

Agenda
Blogs
Guia de Carreiras
Entrevistas
Giro pelo mundo

Portal Acadêmico
Secretaria

Webmail
Cadastre-se
Busca no Portal

Versão RSS

Ajuda

Expediente do Portal

FACULDADE ASCES
Associação Caruaruense de Ensino Superior

End.: Avenida Portugal, 584, Bairro Universitário- Caruaru - PE - Brasil
Tel.: (81) 2103.2000 / E-mail: asces@asces.edu.br

 
O conteúdo deste site é publicado sob uma Licença Creative Commons.