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28/11/2007 | 10:39 | Edmilson Maciel Jr. |
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Uma Adolescente no Inferno
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Oi! Amigos, às vezes somos tomados por uma notícia que de tão trágica, não sabemos ao certo como reagir; à tendência natural é a não aceitação, depois vem a raiva e finalmente a angústia. Não é uma questão de sensibilidade é uma questão de responsabilidade coletiva e lamento pelas vítimas do mal.
No dia 21 de outubro, em Abaetetuba no Estado do Pará, a JUSTIÇA foi presa, estuprada e torturada. No sofrimento de um ser humano podemos ver nossa humanidade, o que aconteceu com a adolescente L.A.B. (15 anos, 1,50m de altura, 35 Kg, com compleição física de uma criança de 12 anos) demonstra o nosso fracasso em construir uma Sociedade Civilizada e um Estado Democrático de Direito que proteja os mais vulneráveis com ações e não com promessas escritas em leis e despidas de vontade política.

Este ano o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA completou a sua maioridade 18 anos de vigência (entrou em vigor em 13/07/1990) e o desafio a sua aplicabilidade é o de garantir a cidadania a milhões de cidadãos-criança e cidadãos-jovens. Houve avanços, isto é notório, mas há aspectos que precisão ser trabalhados como a responsabilidade de todos de “velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor” (art. 18, ECA). A excessiva influência do formalismo jurídico na cultura política brasileira gerou vários mitos; um deles é o de que a democracia só é garantida quando os direitos humanos são inscritos em uma Constituição ou em Leis. O ECA é uma prova que apenas as leis não bastam precisamos que seres humanos operem a lei e não a destruam com comportamentos repulsivos.
Estamos vivendo a insurgência de um “estado de natureza totalitário”, onde crianças e jovens pobres são vítimas preferenciais de uma “mentalidade exterminatória”. Um cenário propício para a difusão de movimentos totalitários, segundo Hannah Arendt (ARENDT, Hannah. Origem do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 362), ocorre quando numa comunidade política a maioria dos cidadãos comporta-se como uma massa, cuja principal característica é o isolamento, a atomização, a apatia e a indiferença.
As instituições negaram-lhe o direito de ter direitos (Polícia, Ministério Público, Poder Judiciário e Governo Estadual) deixando-a despida da única proteção que um cidadão possui em um Estado Democrático de Direito contra o arbítrio a lei. Gradualmente todos os que deveriam protege-la não a reconheceram como ser humano. Este comportamento assemelha-se ao do regime nazista e o procedimento policial foi digno da guestapo de Hitler.
O que me incomoda, sobretudo, é o silêncio ensurdecedor das autoridades constituídas, a propagar-se frio, inerte, indiferente e incapaz de agir responsabilizando os responsáveis sendo um componente a mais neste sarcasmo nacional à decência. Lembra-me o Rei Édipo que foi capaz de atos terríveis contra sua família, mas quando soube o que fez, teve a decência de arrependido arrancar os próprios olhos. Nossas “autoridades” simplesmente ignoram; são indiferentes e transformam a vítima em responsável pelo seu próprio sofrimento, incapazes de assumir a responsabilidade seguem indiferentes triturando vidas. A lógica macabra é: se somos todos culpados, somos todos inocentes, ninguém pode nos responsabilizar. O que aconteceu no Pará e acontece no Brasil é que nós estamos, abandonando milhões de crianças e adolescentes em um ambiente estéril de humanidade e tornamos o mundo um lugar cada vez mais nocivo aos humanos direitos.
Aquele Abraço!
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30/10/2007 | 17:41 | Edmilson Maciel Jr. |
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Calcinhas para Myanmar!
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Caros amigos, proponho um rápido olhar pelo mundo. Mais especificamente em um país pobre da Ásia governado por uma Junta Militar denominado Myanmar (antiga Birmânia). Ocorreu um fato interessante e estarrecedor, uma passeata de monges budistas protestando contra graves violações dos Direitos Humanos praticada pela força militar no poder (prisões arbitrárias, tortura, homicídios, etc...).

Os monges também lamentaram e clamaram pela libertação de San Suu Kyi presa política e vencedora do Nobel da Paz.

Os donos do poder (Junta Militar) reprimiram os protestos pró-democracia com extrema violência.

(Fotos retiradas da Revista TIME. Set, 2007)
Após a passeata os militares invadiram Templo de Shwedagon, local de reunião dos monges que se manifestaram contra o regime, covardemente realizaram espancamentos e a morte de um sacerdote budista baleado foi confirmada. Caros democratas, segundo Hannah Arendt: “A desobediência civil aparece quando um número significativo de cidadãos se convence de que, ou os canais normais para mudanças já não funcionam, e que as queixas não serão ouvidas nem terão qualquer efeito, ou então, pelo contrário, o governo está em vias de efetuar mudanças e se envolve e persiste em modos de agir cuja legalidade e constitucionalidade estão expostas a graves dúvidas.” (ARENDT, Hannah. Crises da República. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999, p. 68). Alguns direitos são impostos os Humanos Direitos são conquistados. A experiência de vivenciarmos a convivência pacífica entre os seres humanos encontra-se estritamente relacionada com a possibilidade de construção de uma humanidade a partir de um novo paradigma, um novo mundo. O desafio, então, é pensar a resistência no interior de um campo democrático e não como saída armada, o desafio é implementar a Não-Violência.
A Teoria da Não-Violência foi criada por Mohandas Gandhi cuja palavra em sânscrito o ahimsa foi explicada em sua autobiografia: “O ahimsa é a base da busca da verdade. Todos os dias percebo que a busca é vã, a menos que apoiada no ahimsa. É apropriado oferecer resistência e atacar um sistema, mas oferecer resistência e atacar seu autor é equivalente a oferecer resistência e atacar a si próprio. Pois somos todos farinha do mesmo saco, e filhos do mesmo Criador, e portanto os poderes divinos em nós são infinitos. Menosprezar um único ser humano é menosprezar aqueles poderes, e assim prejudicar não apenas aquele ser, mas também o mundo inteiro.” (GANDHI, M. Autobiografia: minha vida e minhas experiências com a verdade. São Paulo: Consulado Geral da Índia e Associação Palas Athena, 2003, p. 244.) A forma de luta ele denominou de satyagraha e o objetivo a ser alcançado de swaraj, falaremos sobre os dois últimos termos um outro dia, talvez.
Segundo a BBC alguns cidadãos estão realizando uma ação pacifista de resistência contra a Junta Militar de Myanmar através da internet (http://lannaactionforburma.blogspot.com/search/label/Actions), solicitando que enviem calcinhas para Myanmar, esclarecendo ainda: “Você pode envia-las pelo correio, entrega-las pessoalmente ou arremessá-las contra o prédio da Embaixada de Myanmar mais próxima de você. Mandem-nas já, mande várias”. Segundo a reportagem como manifestação de protesto contra a violência praticada pelos militares a cultura de Myanmar (ou Birmanesa) os generais são supersticiosos e acreditam que o contato com roupas íntimas femininas pode derruba-los do poder.
A responsabilidade (ethos público), parece-me, exige uma ação de resistência fundamentada no exercício da autoridade através da não-violência. Caso queira exercer um pouco de cidadania mundi e necessite de um endereço para enviar algum tipo de encomenda para uma Embaixada de Myanmar no Brasil, clic no link ao lado (http://www2.mre.gov.br/lcd/paisjn.html).
Aquele Abraço!
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16/10/2007 | 16:09 | Edmilson Maciel Jr. |
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Humanos Direitos...
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Oi! Pessoal, agora em formato virtual continuo a minha peregrinação em busca do Santo Graal do respeito aos Direitos Humanos. Para além da mera acepção lingüística ou etimologia o meu objetivo, neste blog, é ressaltar as distinções e dimensões sócio-jurídicas e políticas dos Direitos Humanos. Nesta audaciosa empreitada para ter sucesso preciso escapar do grande monstro criado pelo pré-conceito e pela pré-compreensão presente em nossa sociedade, minha pequena estratégia é trabalhar na perspectiva dos Humanos Direitos, ou seja, indo além da aparência formalista e para além da legitimidade legalista. Aproximando-se das veredas da justiça.
Entendo que um blog enquanto espaço de liberdade é também um espaço de resistência e, sobretudo, de reconstrução do caráter dinâmico e participativo inerente ao processo democrático. O receio que tenho são os tempos sombrios voltarem a escurecer nosso ensolarado país.
A prevalência dos Direitos Humanos mais que um princípio deve refletir no cotidiano de nossas comunidades e no desempenho das instituições democráticas. A democracia, meu caríssimo cidadão não cai do céu, depende da participação cívica da população, pois, caso contrário, estaríamos prestes a admitir a existência de uma democracia sem cidadania, sem Humanos Direitos.
Envolva-se nesta peregrinação. Aquele abraço!
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