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Faculdade Asces

02 de Agosto de 2013 | 09:42 | Alexandre Costa
KILER JOE: MATADOR DE ALUGUEL (Killer Joe)


Um filme lunático. O septuagenário diretor William Friedkin (O Exorcista, Operação França) criou um filme chocante sobre uma família de classe média texana branca completamente imbecil. Ele usa o clichê do idiota alienado tomador de cerveja para revelar a face sombria da pobreza norte-americana, incapaz de seguir, conscientemente, as regras de convivência “civilizada”, impostas pelo american way of life.

A trama é bizarra: Chris (Emile Hirsch), o filho de um casal desequilibrado e separado, aposta em cavalos e vende drogas, além de dever cinco mil dólares aos grandes traficantes da cidade. Jurado de morte e sem recursos para quitá-las, Chris ouve falar que sua mãe, uma alcoólatra drogada e devassa, possui uma apólice de vida de 50 mil dólares em caso de morte por acidente e cujo beneficiário seria Dottie (Juno Temple), a filha mais nova do casal. O filho convence Ansel (Thomas Hayden Church), seu pai e ex-marido dela, de que a melhor solução seria matá-la e ambos contratam um policial corrupto de Dallas que atua como pistoleiro nas horas vagas para fazer o serviço, chamado Killer Joe (Matthew McConaughey, cuja ótima performance consegue transmitir o cinismo niilista que caracteriza alguém que mata por dinheiro).

Joe exige pagamento adiantado (25 mil dólares), mas concorda em receber o pagamento com a grana do seguro, desde que receba a garantia de que Dottie seja o seu objeto sexual enquanto o dinheiro não sair. Ela também concorda com a morte da mãe e apaixona-se por Joe, que se veste todo de preto, fala baixinho, é conciso, pragmático e impiedoso. O pistoleiro logo descobre que lida com idiotas perfeitamente simétricos (qualquer que seja o ângulo de visão, a idiotice permanece inalterada) e impõe as regras do jogo. Outro personagem interessante (e muito importante) é Sharla (Gina Gershom), a ninfomaníaca madrasta dos dois irmãos.

Está montada a trama, narrada com um implacável humor negro que desnuda o vazio existencial de vidas moídas pelo sonho americano (a terra dos bravos, onde tudo é possível). A violência está sempre presente e nas cenas finais beira o ridículo.

Roger Ebert, crítico do Chicago Sun, diz que o filme é um conto de fadas às avessas, já que Cinderela confunde um assassino com um príncipe! Atenção: esse é um filme bem dirigido, com um elenco ótimo, mas que não deve ser assistido por pessoas de estômago fraco. Ele lhes trará uma sensação de estranheza, como se um terremoto moral tivesse varrido todos os seus valores.
 
 
 
 
 
 
Alexandre Costa
Este Blog traz a relação entre o que é produzido pelo cinema e o que é discutido em filosofia. Dicas, críticas e uma análise geral da sétima arte você encontra aqui.
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