Faculdade Asces
18 de Março de 2013 | 15:38 | Adilson Ferraz
ORGANIZAÇÃO E BURROCRACIA
Muitas vezes pensamos que problemas de organização não existem em universidades de grande renome, e com grande investimento do Estado. 
 
Na tarde de hoje, tínhamos aula com o prof. Jean-Luc Marion, na École Normale Supérieure. Fui um dos primeiros a chegar e sentei na primeira fila. O tema é fenomenologia. Sala cheia, após uma espera de 10min para o professor liberar a turma que tinha aula no local. O tempo foi passando e nada de algum professor chegar, nem o anfitrião nem o convidado. Uma senhora que estava na fila ao lado fala a todos que seria bom alguém ir na recepção, onde uma funcionária dá informações, para perguntar. Vira pra mim e fala: "vai lá meu filho, perguntar!". Pensei: "Porque eu?", e fui. 
 
Chegando lá (já tinha ido lá quando cheguei e a menina sabia do evento, mas não sabia quem era o convidado, nem qualquer detalhe. Se limitava ao que dizia uma tabela no computador) perguntei a funcionária: "vai haver o encontro com o prof. Jean-Luc Marion? o povo quer saber." Ela novamente foi olhar no computador. Nesse momento senti na pele os efeitos da burrocracia. A funcionária era incapaz de realizar qualquer coisa diferente de consultar uma tabela. Ela até que tinha boa vontade, mas não percebia suas limitações, o que nesse caso se traduzia em incompetência. Logicamente ela não está inserida em uma estrutura burocrática como em geral a definimos, mas lembrei de Eichmann e do conceito de mal sem raízes de Hannah Arendt. Pensei ironicamente: "Essa mulher é um perigo..." Voltei sem resposta.
 
A senhora se levantou de novo e disse em tom de deboche: "É UM MISTÉRIO MINHA GENTE!!". Muitos riram. Após 50 minutos esperando, sem uma notícia mínima, decidimos desistir. Quando estava na saída (perto do guichê de informações da mesma funcionária tapada) conversando com um senhor, muito gentil, chega o professor anfitrião correndo e responde a pergunta que não queria calar: "Ele tá doente..". 
 
Pensei em voz alta: "Não chegou telefone na França ainda não?"
 
É certo que o ocorrido de hoje é inusual, mas serve pra sabermos que problemas de organização e incompetência existem por todos os lados...
 
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03 de Fevereiro de 2013 | 10:12 | Adilson Ferraz
PRIMEIRO DIA...

 As vezes me pergunto sobre como as coisas acontecem comigo..

Meu primeiro dia de atividades na Sorbonne foi agitado. Sai cedo, com chuva e frio de 4 graus. Já havia planejado o caminho até a faculdade e chegaria com antecedência. Na Sorbonne (paris 1), procuro a "escada C" e a "sala Halbwachs", onde aconteceria o "Colóquio Giovanni Gentile: une pensée en acte". Logo na entrada duas meninas francesas (uma com cara de boliviana e outra de angolana) me perguntaram onde seria a conferência, respondi simplesmente que também estava procurando. Começamos então a procurar juntos, não sabia eu que daríamos uma volta por Paris.

Rodamos todo o prédio e ninguém sabia indicar onde era a tal "escada C". Achamos metade do alfabeto, mas não a letra que buscávamos. Descemos e perguntamos em uma secretaria, ao que disseram: "nãoo, não é aqui, é em Paris 13". Fiquei sem saber o que fazer. As duas desceram a rua sozinhas, depois de um minuto de indecisão segui as duas. Mais a frente me aproximei e perguntei se sabiam onde seria o evento, responderam que iam perguntar no metrô, fui com elas. Disseram que teríamos que descer na estação Tolbiac, depois de uma conexão. No metrô finalmente emplacamos um diálogo, que foi animado. Uma delas ensaiava falar espanhol comigo, enquanto eu ensaiava meu francês.

Após oito estações e uma conexão descemos e subimos a rua, mas lá ninguém sabia informar onde era a rua Saint-hippolite, onde disseram que seria o colóquio. Saímos a caminhar, perguntando a todos. Pensei: "Onde fui arrumar essas duas? As duas francesas mais perdidas de Paris..." Até que num ponto de ônibus muito a frente perguntamos a um rapaz, que nos disse exatamente onde era, e que nos acompanharia até lá. Incrivelmente, nessa mesma hora, chegaram três pessoas que também procuravam o mesmo lugar.

O cara era muito gente fina, falou sobre o curso de Direito da Sorbonne e pude entender como funciona, por exemplo, que o curso possui três anos apenas. Ele faz atualmente um Master em Direito dos Negócios. Após tomar duas linhas de metrô, um ônibus e andar meio quilômetro conversando com pessoas que nunca imaginei conhecer, chegamos à Sorbonne.

Acontece que os dois primeiros anos de direito são cursados nesse prédio que buscávamos, os resto é dividido entre os tradicionais prédios de Paris 1 e Paris 2.

O colóquio foi ótimo, mas as vezes se perder em Paris pode ser muito interessante...

 
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16 de Janeiro de 2013 | 14:28 | Adilson Ferraz
UM DIÁLOGO COM A ÍNDIA
http://1.bp.blogspot.com/-y2fdMng02xs/TzPZ8ylBc1I/AAAAAAAAEys/cq6-IDSPJCE/s1600/c.jpg          
 
Em minha recente viagem a Brasília houve situações interessantes. Por exemplo, o cheiro de plástico queimado dentro do avião antes da partida (para a alegria dos claustrofóbicos, os comissários disseram: “nãaaao, isso é normal...” o que gerou justamente o efeito contrário), conhecer um colombiano de Medellín que busca emprego no Brasil, ver a embaixada de Guiné Equatorial (existe isso?) e conhecer um francês muito gaiato para ser francês (deve morar no Brasil há séculos). Mas o mais interessante foi conhecer e conversar com um indiano na embaixada da França.                                                                                                                            
Com cerca de 50 anos, a cor de pele, orelhas e roupas características, me aproximei e perguntei: “É pra tirar o visto também?” Pergunta idiota, haja vista que 99% dos que estão na embaixada vão unicamente por este motivo, mas queria uma desculpa para começar um diálogo.                                                                                                                                              
O indiano é padre da igreja católica romana e mora no Brasil (acho que no Pará) há um ano, e apesar do pouco tempo aqui fala muito bem o português. Os indianos falam o hindi e o inglês, mas há cerca de 23 línguas mais a depender da região. Com a precisão dos matemáticos de lá, me disse que o catolicismo representa cerca de 1,5% da quantidade de fieis na índia, os muçulmanos 2,5%, enquanto que o hinduísmo é predominante, aproximadamente 85%, o resto é de budistas. Me chamou a atenção sua cara enquanto falava da quantidade infinda de deuses dos hindus, nunca imaginei ver um hindu expressar um certo “repúdio muito respeitoso” com relação a essa crença. Fingi que não conhecia nada sobre o tema, e ele ainda me falou um pouco sobre Buda e os muçulmanos. Perguntei se o cristianismo é respeitado na sua terra e ele respondeu que sim. Todos se respeitam mutuamente, mas ressaltou que os muçulmanos nem sempre, pois queimavam igrejas e matavam os fieis em algumas regiões perto do ocidente. Se a informação é verdadeira não tenho como saber. Interessante o que me disse sobre os milagres, disse que a maioria dos milagres que ocorrem na índia quando os indianos vão visitar as igrejas católicas e fazer seus pedidos, ocorre com hinduístas e budistas, e não com católicos (não sei, mas talvez seja um sinal de que estes vivem mais a espiritualidade que os católicos, que professam uma religião exotérica). Ele necessitava de um visto de trânsito, unicamente para passar pela frança em direção a Israel. Faz parte de um grupo de 70 pessoas, entre padres e diáconos, que vão a um retiro na terra santa.                                       
É incrível como uma boa conversa não demanda muito conhecimento das partes, assim é que nos despedimos e não nos perguntamos os nomes. Ficou o desejo de conhecer a Índia, e talvez seja um dos meus próximos roteiros.                                                                                                                                                                                                                                                                                                         
PS.: Estou prestes a embarcar de volta, tomara que não venha o cheiro de queimado de novo...
 
 
 
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04 de Janeiro de 2013 | 03:23 | Adilson Ferraz
ONDE EU VIVO?

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4560056633945&set=a.1976998059095.113770.1067418222&type=3&theater

 

Onde eu vivo? Não é o tipo de pergunta que se espera, talvez por parecer óbvia a resposta: Eu vivo na minha casa, na minha cidade, etc.. No meu caso, a dúvida surge por razões práticas, durante a falta de energia em meu bairro. Não devido à falta do que fazer tendo em vista o escuro (como somos incapazes de lidar consigo mesmos quando a tecnologia nos falha!), mas porque em minha conta de energia, onde está o número para reclamações, consta que moro no bairro do "Salgado". Ao ver isso me dei conta de que cada vez mais as correspondências chegam dirigidas ao bairro "Universitário", o que é muito estranho, já que para mim sempre vivi no bairro "Maria Gorete".

O caso é interessante pois eu me identifico com os universitários, mas isso não me faz crer que o bairro deva se chamar universitário, até porque muitos dos que aqui vivem não são universitários, tampouco o bairro possui um clima acadêmico fervoroso. Ao mesmo tempo não vejo muita semelhança entre onde vivo e o salgado (bairro onde morei na minha infância), de modo que não poderia ser um apêndice seu.

Para o Estado, esse bairro ou é uma ponta do Salgado ou é o bairro da Faculdade ASCES (e sem dúvida deve a ela seu crescimento), mas não pode ser o bairro da capelinha, do açude que existia atrás do fórum, da fazenda que deu origem ao nome, simplesmente porque esse passado está quase enterrado na memória dos poucos que viveram sua origem. As pessoas que vivem aqui hoje e que em grande parte vieram de outras partes da cidade, não conhecem a história do bairro, então, como poderiam sentir-se incomodadas se mudam o seu nome? De certa forma, quanto ao desinteresse, estas pessoas estão no mesmo nível do Estado. O que preocupa é o desprezo da própria história sintetizada no ato de mudança de nome, história que merece ser preservada. Quando as pessoas do meu bairro foram consultadas sobre uma mudança do nome, ou sobre que nome acreditam ser o melhor? Nunca, que eu saiba. Claro que a cultura é dinâmica, os nomes mudam. Mas qual o papel do Estado nisso? Se os interessados (até então DESinteressados) fossem consultados com certeza buscariam informações sobre essas raízes. Talvez não aconteça o mesmo com o Vassoral ou Alto do Moura.

Me dei conta de algumas coisas: 1) A administração pública muitas vezes se coloca numa posição cômoda, alheia a necessidade de considerar a cultura como algo que interage com suas ações; e em suas práticas cotidianas atua como se a sociedade fosse uma "coisa" neutra, o que não corresponde a realidade. É o que permite que os Correios nomeie meu bairro como "Salgado", "Universitário", ou qualquer outro, e desconsidere "Maria Gorete". 2) Estamos muito longe na política (não só de Caruaru) de criar mecanismo que permitam que as comunidades preservem, sem imposição do Estado (inclusive para que uma cultura deixe de existir), sua identidade e sentimento de pertenência a um lugar. Isso é possível em uma política em que haja participação efetiva do povo e em um modelo de democracia bastante específico, ao qual estamos bem distantes.

Essa discussão que apresento não vai mudar muito a vida das pessoas, isso é certo, mas pode apontar algumas questões a serem refletidas. Ao menos para mim não importa o que diz a COMPESA, os Correios ou a Prefeitura, eu vivo no bairro "Maria Gorete".

 
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26 de Novembro de 2012 | 06:27 | Adilson Ferraz
VARIÉTÉ FRANÇAISE

Pessoal, posto alguns videos da apresentação que fizemos na última semana aqui em Buenos Aires. O evento foi promovido pela Aliança Francesa e aconteceu num teatro no centro da cidade. O cantor se chama Bruno Bilic, é croata mas viveu metade da vida em Paris. A proposta foi apresentar algumas das mais belas canções francesas.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=aoiDZIfT03M

https://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=WPlx895JpfY

https://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=1UsLILitT7U

https://www.youtube.com/watch?v=rmHaOoYyPfE&feature=relmfu

https://www.youtube.com/watch?v=FPRqMXh1zWY&feature=relmfu

 

 

 
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Adilson Ferraz
O blog DIREITO E FILOSOFIA foi criado como um espaço democrático de construção do conhecimento, propiciando discussões sobre temas abordados em sala de aula, trazendo informações sobre as disciplinas, além de contribuir para uma interação mais dinâmica en
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