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Faculdade Asces

12 de Junho de 2012 | 05:55 | Adilson Ferraz
ENTRE SÃO JORGE E O DRAGÃO

 (http://elguardian.com.ar/tapa/revista/95/la-defensa-del-peso)

A capa da última edição da revista El Guardián apresenta metaforicamente a batalha épica entre São Jorge (Cristina Kirchner) e o dragão (a economia). Na imagem podemos observar inclusive que a peronista (por favor, não me perguntem o que é peronismo por que acho que nem Perón sabia!) mantém a simpatia retórica que nunca lhe abandonou.

A presidenta tem sofrido aparentes derrotas em vários frentes. 1) não consegue emplacar uma política de controle cambial na economia dolarizada adotada pela Argentina; 2) não consegue controlar a inflação (este deve ultrapassar os 40%, menos que isso é maquiagem...); 3) Não consegue impor seus pontos de vista nos embates travados com Macri principalmente quanto a discussão sobre competências atribuídas ao governo municipal e federal. Existem outros "não consegue" também, mas vou citar apenas esses.

Desde que começou o "corralito verde" (corralito quer dizer "curralzinho", desses que se colocam as crianças pequenas) a situação político-social-econômica tem piorado. Os conflitos políticos se acentuaram, a inflação disparou como uma flecha e há cada vez mais protestos populares, desde Belgrano até a plaza de mayo. Esse mini-corralito nada mais é do que uma imposição do governo no sentido de que todos que queiram comprar dólar devem fazer um pedido à Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP), especificando a quantidade, o motivo da viagem ao exterior, a duração prevista, as escalas dos voos, a data de nascimento do turista, dados trabalhistas, entre outras informações. Paradigmática foi a cena que vi na última vez que fui a uma casa de câmbio no centro de Buenos Aires: um senhor indignado e esbravejando pois não poderia fazer a compra de dólares na quantidade que desejava... Em outra ocasião um taxista peruano conhecido que me levava ao aeroporto me pediu que lhe trouxesse dólares do Brasil... Sorte das empresas de transporte fluvial que cada vez recebem mais argentinos que cruzam o rio da prata para conseguir dólares no Uruguai.

Claro que Hobbes não imaginava o quilombo (bagunça) que seria a relação entre Estado, economia e sociedade tal como é hoje, mas me inclino a acreditar que estava certo ao dizer que na ausência de um poder forte e centralizado o que impera é a guerra de todos contra todos. No "blue" (como chamam aqui o mercado paralelo) os arbolitos (doleiros) já estão vendendo o dólar a 6 pesos, as casas de câmbio, para não perder, não seguem as indicações do governo de freiar a subida da cotação, enquanto que o povo continua mantendo a velha tradição de esconder em casa até os centavos da moeda americana.

Quem diria, nestes tempos o dólar vale ouro...

A grande pergunta é: O que virá? Um novo corralito nos moldes de Domingo Cavallo, ocorrido em 2001? Algo pior?? Temo saber a resposta, assim como a maioria dos argentinos. Infelizmente...

 

Sobre o jogo:

 
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10 de Junho de 2012 | 04:38 | Adilson Ferraz
Quem é você?

Porque você escolheu fazer direito? Sempre me pareceu que essa pergunta “clichê” que alguns professores fazem no início do curso teria mais sentido no seu término... Afinal, deve haver alguma causa para alguém voluntariamente passar cinco anos arduamente realizando estudos – Além de ter que conciliar outras demandas, como emprego, família, etc.. Se por um lado é exigir muito uma escolha específica até meados do curso (o que vou ser? Advogado, juiz, técnico, promotor, defensor, vou mudar de área, etc.) por outro a grande maioria dos formandos não tem uma mínima ideia de qual caminho efetivamente vai seguir com a conclusão do curso. Frequentemente a resposta a esse problema é: “qualquer um!”

Isso parece ser um sintoma mais profundo, mas não só do curso de direito, senão da sociedade. Não é apenas um horizonte de incerteza com relação ao futuro... Há um fenômeno mais ou menos recente (não só na área de direito) que parece encobrir em muitos casos (obviamente não todos) as causas profundas do “fazer direito”: a instrumentalidade da carreira. Eu faço o curso unicamente visando fins determinados, por exemplo: ganhar muito dinheiro/segurança financeira, obter status social, comprar um carro importado, etc. Mas claro que podíamos nos perguntar: que mal há nisso? Um médico ou um administrador de empresas também podem desejar isso. O jurista não pode? Não seria uma consequência esperada do sucesso de minha carreira? Claro que sim! Quem não quer conforto, segurança e estabilidade? A priori, não há nenhum mal em desejar qualquer uma destas coisas, o mal (se há realmente) pode estar em condicionar sua vida em função disso, o mal pode estar no fundamento de sua escolha.

Nós somos (também) o que desejamos. Se o fundamento de seu desejo de ser juiz é ajudar a sociedade a resolver suas contradições me parece que você está no caminho certo, mas se você quer ser juiz para ganhar R$ 18.000 por mês você deve refazer seu curso de direito, ou mudar de curso. A instrumentalidade faz com que existam tantos médicos, advogados, administradores, etc. completamente incompetentes.

Lembro-me no décimo período quando um colega de classe me perguntou o que eu gostaria de ser, e lhe respondi: quero ser professor de direito. Ele imediatamente começou a rir e dizer que eu morreria de fome, e que era mais importante ganhar dinheiro. Hoje ele é um advogado conhecido em Caruaru e com certeza ganha dezena de vezes o que eu ganho como professor. Mas nem sempre dinheiro “compra” a felicidade...

Um fato: no mercado você só é alguém se consumir, se você não consome você não é ninguém, não tem voz, é invisível... O paradoxo é que nesse mercado você só é alguém se também for um produto (ou seja, você foi fabricado pelo sistema), que como tal não pode pensar (é perigoso pensar), senão ser valorado ou depreciado segundo as regras da cultura vigente.

Duas perguntas: você faz direito para ser visto? Para ser um produto? No fundo, a escolha que fazemos sobre nossa carreira revela claramente quem somos nós. Quem é você?

 

NOTÍCIA Juiz deixa toga e salário de R$ 24 mil para sair em busca da profissão ideal De Barra do Garças - Ronaldo Couto Foto: Reprodução Raul diz que ainda não encontrou a profissão ideal e abandona a magistratura Raul diz que ainda não encontrou a profissão ideal e abandona a magistratura Um fato inusitado aconteceu em Aragarças-GO, divisa com Barra do Garças: um juiz de 30 anos de idade que está há um ano no judiciário pediu exoneração e informou que está à procura da profissão ideal. Raul Batista Leite, que assumiu em outubro a comarca aragarcense, surpreendeu a todos ao anunciar no início do mês a sua decisão de abandonar a magistratura. Com salário de R$ 24 mil, Raul dá adeus a uma profissão cobiçada por muitas pessoas e comentou com alguns amigos que não se identificou com a função de juiz. Por telefone, ex-juiz que se formou em Goiânia-GO, disse ao Olhar Direto que vai continuar participando de concursos públicos à procura de outra carreira. E participar de concursos públicos realmente é o forte de Raul. Antes de ser juiz, ele passou no concurso público para promotor e policial federal. “Eu vou continuar participando de concursos”, salientou. Raul, citando que gostaria de ser professor universitário. Perguntado sobre a questão financeira, porque um professor no nível máximo (com doutorado) ganha R$ 10 mil, bem abaixo do que ele ganhava, o ex-juiz disse que dinheiro não é tudo e que a pessoa precisa se sentir bem na função. O salário de um magistrado em Goiás gira em torno de R$ 18 mil, mais adicional pelo Eleitoral, totalizando R$ 25 mil por mês. Com o pedido de exoneração de Raul, a comarca aragarcense está sendo dirigida provisoriamente por Flávia Morais Nogato de Araújo Almeida, titular de Piranhas. Aguarda-se a nomeação de outro magistrado para Aragarças por parte do Tribunal de Justiça de Goiás.

FONTE: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=256721

 
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10 de Maio de 2012 | 06:01 | Adilson Ferraz
O "POBRE" FANHO

www.youtube.com/watch

(METAMORFOSE AMBULANTE - RAUL SEIXAS)

 

Hoje presenciei uma cena no mínimo incomum no metrô de Buenos Aires: um fanho (juro, é a primeira vez em minha vida que escrevo essa palavra!) pedindo esmola.  Imediatamente pensei: “que tipo de mendigo é este? Um mendigo fanho?  Por que alguém daria esmola para um mendigo fanho?” Meu senso comum estava a me dizer que poderia existir um mendigo que fosse fanho mas não um mendigo que é mendigo porque é fanho...  esta última hipótese era aparentemente o caso. Qual então a relação entre a pobreza e a fanheza do mendigo?  

Em geral, assumimos que a pobreza é o fundamento da mendicância e que não decorre de uma causa voluntária (e seguramente a fanheza não é voluntária), mas este mendigo não teria como causa de sua pobreza o estado de sua voz. Ora, um fanho nada mais é do que alguém que tem sua expressão vocal prejudicada – estando mais ou menos entre a clareza do falar de um William Bonner e um mudo. Mas se observamos alguém que nasce em uma favela, perde seus bens ou dorme nas ruas, aí sim diríamos: “Eu tenho a obrigação moral de ajudar esta pessoa, ela é pobre, ela não tem culpa.” Mas o que dizer dos deficientes físicos que pedem esmola? Estes merecem mais do que um fanho? Se a deficiência fosse realmente o fundamento do ato de caridade teríamos inclusive que ajudar os deficientes ricos – claro, a deficiência independe do grau de riqueza das pessoas, simplesmente existe. Parece então que há algo que ultrapassa o sentido usual deste tipo de ato (de caridade), há algo excedente não explicitado... Não é claro o motivo do “dar esmola”. Fato comprovado pela hipocrisia que permite dar a um e imediatamente negar a outro - já aconteceu com você?                                                        

O que ocorre é que neste momento a fanheza de alguém não o legitima para receber tantas moedas como um mendigo “profissional”, apesar de ser pobre do ponto de vista material. Cheguei a conclusão que aquele pobre homem não teria vocação para a mendicância... Por que então o fanho não pode ser mendigo? A resposta é muito simples, mas tem enormes implicações no campo da política: porque a pobreza é o que nós dizemos que ela é!

 
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08 de Maio de 2012 | 04:57 | Adilson Ferraz
APRENDA RETÓRICA COM A MAFALDA

Na aula que ministrei ontem na UBA estudamos alguns conceitos básicos da retórica a partir de tirinhas da Mafalda, compartilho com vocês uma explicação simples de alguns fundamentos:

1 - Toda argumentação é problemática, é baseada em questões/dúvidas subliminares ao exposto explicitamente na comunicação:

Apesar de a pobreza ser um fenômeno "usual" e sua presença muitas vezes cotidiana: o que é pobreza? quem deve ser considerado pobre? que critério utilizar para definir quem é rico e quem é pobre?

COM RELAÇÃO AO DIREITO, O QUE SERIA: LIBERDADE? IGUALDADE? PRINCÍPIOS? RAZOABILIDADE? CONSTITUCIONALIDADE?

2 - A realidade humana é comunicacional (retórica), pois não há enunciado (descritivo, normativo, etc.) que se encontre fora da linguagem, e pode ser racionalizada e sintetizada em três dimensões:

O ethos (caráter) é a instância ligada ao sujeito do qual emana os sentidos comunicados, de modo que todos possuimos ethos. Na historieta (como dizem aqui), por meio principalmente do que diz mafalda e da linguagem corporal de susana se percebe que esta última possui (ou pretende manter) um ethos ligado ao bom humor/alegria. Estas características ficariam "impregnadas" em seu caráter, e por conseguinte no modo como os outros a enxergam. No quarto quadro, o jogo com os sentidos de hipócrita/não hipócrita denuncia a construção do ethos por parte de suzana.

O pathos é a instância ligada aos efeitos produzidos no auditório pelo discurso. Na história corresponde às emoções, sentimentos e reações produzidas por suzana, mas também por mafalda. A ironia perpetrada por suzana no quarto quadro produz um pathos específico.

O logos é o discurso, a linguagem, mas também a racionalidade utilizada. Existem diversas formas de nos comunicarmos, o logos nos indica que podem existir formas mais ou menos efetivas de comunicação com relação ao objetivos que desejamos alcançar (uma argumentação lógica se configura como o mínimo). O logos pode se manifestar por meio de linguagem pictórica, corporal, simbólica, normativa, etc. Não se confunde com o ethos e o pathos, mas contribui diretamente para a dinâmica que envolve estes dois elementos.

Por fim, estas três dimensões da comunicação se alteram dialeticamente. Um bom retórico sabe administrar o ethos, pathos e logos em função dos seus objetivos.

UMA SUGESTÃO: OBSERVE NA FACULDADE, NO FÓRUM, NO SEU ESTÁGIO, NO PRESÍDIO, EM SUA CASA, A DIVERSIDADE DE ETHOS EXISTENTES, ALÉM DA DINÂMICA GLOBAL DAS TRÊS ESFERAS DA COMUNICAÇÃO HUMANA.

Boa semana a todos!

 
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01 de Maio de 2012 | 05:25 | Adilson Ferraz
Costinha na Argentina!

Esteve aqui em Buenos Aires na última semana o prof. Alexandre Costa para um encontro acadêmico com o prof. Carlos Carcova, da Universidade de Buenos Aires. Posto uma foto de nosso querido costinha tirada no GrandKing Hotel, como se observa, com destacada facilidade para o intercambio cultural entre os povos:

 

Em homenagem a costinha, posto também um puzzle lógico citado pelo colega Luis Rosa no Blog Distropia (recomendo), a partir do livro The Fantastic Book of Logic Puzzles:

Você sabe que os marcianos são dividos em dois grupos: o grupo dos marcianos que sempre falam a verdade e o grupo dos marcianos que sempre mentem. Porém, você não consegue classificar um marciano como mentiroso ou verídico simplesmente por suas características físicas, ou pelo seu comportamento. Você precisa descobrir o tipo de um marciano por meio de raciocínio. Chegando em Marte, você encontra o Marciano 1, e pergunta a ele:

- Você é dos marcianos que falam a verdade?

Porém, antes que o Marciano 1 responda a sua pergunta, o Marciano 2 intervém e fala:

- O Marciano 1 vai dizer que ele fala a verdade, mas ele estará mentindo

Neste momento, contando somente com estas informações, você precisa descobrir qual destes dois marcianos é aquele que fala a verdade.

 

Grande costinha!

 
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Adilson Ferraz
O blog DIREITO E FILOSOFIA foi criado como um espaço democrático de construção do conhecimento, propiciando discussões sobre temas abordados em sala de aula, trazendo informações sobre as disciplinas, além de contribuir para uma interação mais dinâmica en
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